O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (2), que o Brasil poderia ter adotado aumento de tarifas contra os Estados Unidos, em resposta às recentes discussões comerciais entre os dois países. A declaração foi feita após o governo norte-americano classificar práticas brasileiras como “irrazoáveis” e apontar possíveis medidas tarifárias.
Segundo Lula, a relação comercial é favorável aos Estados Unidos, que acumularam superávit de US$ 415 bilhões nos últimos 15 anos. “Quem tinha que aumentar a taxação seríamos nós, não eles”, afirmou o presidente.
Lula voltou a comentar uma reunião realizada no início de maio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Segundo ele, durante a conversa de cerca de três horas, foram discutidas divergências sobre tarifas e comércio bilateral.
O presidente brasileiro relatou que apresentou dados sobre a balança comercial entre os dois países e propôs um prazo de 30 dias para a verificação das informações por ambas as partes. “Se eu estiver errado, eu aceito; se você estiver errado, você aceita”, disse.
De acordo com Lula, o prazo foi acordado entre os dois governos, mas ainda não houve consenso após novas rodadas de negociação.
Em meio ao impasse, o governo norte-americano voltou a avaliar a aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, com base em uma investigação que aponta possíveis restrições ao comércio dos Estados Unidos.
Lula criticou a medida e afirmou que sua posição é baseada na “defesa da verdade” em relação aos dados econômicos apresentados.
“Como eu não tenho navio para fazer as guerras que o Trump gosta de fazer e não tenho bomba atômica, a minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira”, declarou.
Durante discurso em evento em Catalão (GO), o presidente também comentou o posicionamento de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação a tarifas impostas anteriormente pelos Estados Unidos ao Brasil. Lula citou publicações de políticos nas redes sociais à época das medidas.
O governo norte-americano sustenta que práticas brasileiras “oneram ou restringem” o comércio dos Estados Unidos. O relatório citado pela investigação prevê a possibilidade de novas tarifas ou restrições a produtos brasileiros.
As negociações entre os dois países seguem em andamento.




