O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (2) o sistema de pagamentos instantâneos Pix após críticas feitas em relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. A declaração ocorreu durante evento em Salvador.
Segundo Lula, o sistema, criado e operado pelo Banco Central do Brasil, deve ser mantido e aprimorado para atender às necessidades da população. “O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar”, afirmou.
O relatório anual do governo norte-americano aponta preocupações de empresas dos Estados Unidos com o possível tratamento preferencial dado ao Pix em relação a outros meios de pagamento. O documento cita que o Banco Central cria, opera e regula o sistema, além de exigir sua adoção por instituições financeiras com mais de 500 mil contas.
As críticas fazem parte de um contexto mais amplo de questionamentos comerciais. Em 2025, os Estados Unidos abriram uma investigação sobre práticas consideradas “desleais”, incluindo o Pix. Um dos pontos levantados foi a suspensão do WhatsApp Pay em 2020, aplicativo ligado à Meta, de Mark Zuckerberg.
Na ocasião, o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que o modelo do Pix busca garantir segurança e neutralidade no sistema financeiro, sem discriminação a empresas estrangeiras. O argumento também destaca que outros países desenvolvem soluções semelhantes, como o Federal Reserve.
O Pix foi lançado oficialmente em 16 de novembro de 2020, após estudos iniciados em 2018, e se consolidou como um dos principais meios de pagamento no país.
O relatório norte-americano, divulgado em 31 de março, também aborda outros temas relacionados ao Brasil, como mineração ilegal, legislação trabalhista, regras para plataformas digitais e a Lei Geral de Proteção de Dados.
Durante a agenda em Salvador, Lula participou ainda de entregas do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área de mobilidade urbana e visitou as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da capital baiana. O projeto prevê investimentos de R$ 1,1 bilhão.
O evento marcou também a saída do ministro da Casa Civil, Rui Costa, que deixa o cargo para disputar as próximas eleições. A função será assumida pela secretária-executiva Miriam Belchior.





