Lula diz que crime organizado atua como “multinacional” e promete atingir o “andar de cima”

Presidente afirmou que o crime organizado é altamente sofisticado e tem presença global. Disse ainda que as ações agora buscarão responsabilizar os que estão no comando.

Foto: Antonio Cruz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29), em entrevista à Rádio Itatiaia, que o combate ao crime organizado no Brasil está entrando em uma nova fase, com foco nos líderes e financiadores dos esquemas criminosos. Segundo ele, as organizações atuam com sofisticação e influência em diversas esferas da sociedade.

“O crime organizado hoje é uma verdadeira multinacional. Está na política, no futebol, na Justiça, está em tudo quanto é lugar. Tem relações com o mundo inteiro”, declarou.

Lula disse que as ações recentes da Polícia Federal, que investigam lavagem de dinheiro em redes de combustíveis e uso de fintechs para ocultar patrimônio de facções criminosas, representam uma mudança de postura das autoridades.

“Por enquanto só iam no andar de baixo. Agora queremos saber quem está no andar de cima. Quem fizer parte, vai aparecer”, afirmou o presidente.

A operação apura um esquema sofisticado que usava fundos de investimento e empresas de fachada para movimentar dinheiro de origem ilícita. A Justiça Federal já autorizou o bloqueio de bens e valores que somam cerca de R$ 1,2 bilhão, valor equivalente às autuações fiscais feitas até o momento.

Tarifas dos EUA: Lula diz que não tem pressa para retaliação, mas cobra avanço

Na mesma entrevista, Lula comentou sobre as tarifas de até 50% aplicadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Ele afirmou que não tem pressa para aplicar a Lei da Reciprocidade, mas que o Brasil já iniciou formalmente o processo de resposta.

“Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Mas tomei a medida porque eu tenho que andar o processo”, disse.

A Lei da Reciprocidade, sancionada em abril, permite ao Brasil reagir a medidas unilaterais de outros países que prejudiquem exportações nacionais. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) já notificou os EUA e acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC).

O tarifaço atual é resultado da política comercial protecionista do ex-presidente Donald Trump, e inclui uma tarifa adicional de 40%, imposta em agosto, somando-se aos 10% anteriores — atingindo 35,6% das exportações brasileiras para os EUA.

Lula criticou a falta de diálogo com o governo norte-americano e disse que, até agora, nenhum ministro brasileiro conseguiu contato direto com representantes dos EUA, apesar das tentativas feitas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, e pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).

“Se o Trump quiser negociar, o Lulinha paz e amor está de volta”, ironizou Lula, ao afirmar que não vai ligar para Trump sem um sinal claro de disposição para o diálogo. “Por que acham que meu telefonema resolveria, se nem o secretário do Tesouro fala com o Haddad?”, questionou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui