Cinco pessoas foram presas nesta sexta-feira (28), em Extrema, no Sul de Minas, durante uma operação que investiga a morte de Cícero Yuri Barbosa de Almeida. Entre os presos estão quatro homens e uma mulher.
A ação foi realizada pelas Polícias Civis de Minas Gerais e de São Paulo e contou com mais de 150 policiais, além do apoio de um helicóptero. Ao todo, foram solicitadas prisões temporárias de 11 investigados.
Segundo a investigação, Almeida pode ter sido submetido a um chamado “tribunal do crime” antes de ser morto. O corpo foi encontrado na manhã de 7 de julho, às margens da MG-460.
De acordo com a polícia, a vítima estava com as mãos e os pés amarrados por fios de cobre, que também estavam presos ao pescoço. Como não foram encontrados sinais de sangue no local onde o corpo foi deixado, os investigadores passaram a considerar a possibilidade de que o homicídio tenha ocorrido em outro endereço.
A apuração indica que a execução teria acontecido dentro da casa de um dos investigados, onde também funcionava uma oficina mecânica.
Durante as buscas, os policiais encontraram um pedaço de fio com características semelhantes ao material utilizado para amarrar a vítima. Uma bolsa que, segundo a investigação, pertencia a Almeida também foi localizada no imóvel. Dentro dela havia um cigarro de maconha e uma porção da droga.
Um colete refletivo encontrado parcialmente molhado também foi analisado pelos investigadores. Conforme a perícia, o material apresentava partículas de areia consideradas compatíveis com vestígios encontrados sobre o corpo.
No imóvel, os peritos utilizaram luminol e identificaram resíduos que, segundo a Polícia Civil, seriam compatíveis com sangue e poderiam ter permanecido mesmo após uma tentativa de limpeza.
A investigação também analisou dados de georreferenciamento de uma tornozeleira eletrônica. As informações indicaram que um dos suspeitos estava na residência durante o período em que o crime teria acontecido.
Uma testemunha relatou ter visto um homem sendo interrogado por três pessoas dentro da casa. Outros suspeitos teriam acompanhado a situação por meio de uma chamada de vídeo. A mulher afirmou ter reconhecido Almeida posteriormente.
Ainda conforme a investigação, a vítima teria sido questionada sobre uma dívida relacionada a drogas e, posteriormente, submetida à decisão dos integrantes do grupo.
A Polícia Civil investiga os crimes de homicídio qualificado e organização criminosa. Os suspeitos permanecem sob investigação, e a responsabilidade pelos crimes será definida pela Justiça.
Nota de esclarecimento
Em razão das notícias e imagens divulgadas nesta data acerca do cumprimento de mandado de busca e apreensão em uma chácara no município de Extrema/MG, a Defesa vem a público prestar os devidos esclarecimentos, a fim de evitar qualquer interpretação equivocada ou vinculação indevida dos moradores e responsáveis pelo imóvel aos fatos investigados.
Durante o cumprimento da ordem judicial, as autoridades ingressaram no imóvel indicado e, após as verificações realizadas no local, constataram que a pessoa procurada na investigação não residia naquela chácara e era, inclusive, desconhecida de seus moradores.
Verificou-se, portanto, que a diligência naquele imóvel decorreu de um equívoco quanto ao local onde supostamente residiria a pessoa procurada, não havendo relação entre os moradores da chácara e o indivíduo procurado.
Da mesma forma, durante o cumprimento da diligência, nada foi localizado que vinculasse os moradores ou responsáveis pelo imóvel aos fatos que motivaram a investigação.
A divulgação de imagens do imóvel, desacompanhada desse esclarecimento, pode gerar perante a sociedade a falsa impressão de que seus moradores ou proprietários possuem envolvimento com fatos criminosos, causando graves e injustos prejuízos à honra, à imagem e à reputação de pessoas que não possuem relação com a investigação.
Por fim, ressaltamos nosso respeito ao trabalho das autoridades responsáveis pela investigação e dos profissionais da imprensa, sendo a presente nota destinada exclusivamente a esclarecer a realidade dos fatos, preservar a honra, a imagem e a privacidade das pessoas indevidamente associadas ao ocorrido e evitar qualquer interpretação equivocada por parte da população.
Dra. Paloma Camargo
OAB/SP 483.569
Patrícia Gomes da Silva Guedes Guerra
OAB/SP 291.461



