Contas públicas têm déficit de R$ 66,6 bilhões em julho; dívida avança para 77,6% do PIB

Contas públicas têm rombo de R$ 66,6 bi em julho, pressionadas por precatórios; é o segundo pior resultado para o mês

Foto: Marcello Casal Jr

As contas do setor público consolidado apresentaram um déficit primário de R$ 66,6 bilhões em julho deste ano, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (29).

A maior parte do rombo veio do Governo Central (R$ 56,4 bilhões), seguido pelos governos regionais (R$ 8,1 bilhões) e pelas estatais (R$ 2,1 bilhões).

O aumento expressivo se deve à concentração de pagamentos de precatórios — dívidas do governo reconhecidas pela Justiça — que somaram R$ 62,78 bilhões em julho. Em 2024, esses pagamentos ocorreram em fevereiro, o que explica a diferença. Em julho daquele ano, o déficit havia sido de R$ 21,3 bilhões.

O resultado primário representa o saldo das contas públicas antes do pagamento de juros da dívida. A diferença entre os números do Tesouro Nacional e do BC se deve a metodologias distintas.

Acumulado do ano

De janeiro a julho, o déficit acumulado chegou a R$ 44,5 bilhões (0,61% do PIB), melhor que o registrado no mesmo período de 2024, quando somava R$ 64,7 bilhões (0,97% do PIB).

No acumulado em 12 meses, porém, houve reversão: o resultado passou de superávit de R$ 17,9 bilhões em junho para déficit de R$ 27,3 bilhões em julho (0,22% do PIB).

A meta do governo é zerar o déficit primário em 2025, embora o novo arcabouço fiscal permita rombo de até 0,25% do PIB.

Juros e dívida pública

Com os juros da dívida, o déficit nominal de julho alcançou R$ 175,6 bilhões. Em 12 meses, o rombo chega a R$ 968,5 bilhões, ou 7,86% do PIB.

A dívida bruta do governo geral subiu para 77,6% do PIB (R$ 9,6 trilhões), contra 76,6% no mês anterior. O aumento foi puxado pelo pagamento de juros, emissões líquidas de títulos e pela desvalorização do real.

A dívida líquida também avançou, atingindo 63,7% do PIB.

Risco fiscal e projeções

O arcabouço fiscal limita o crescimento das despesas a 70% do aumento da arrecadação, com teto de 2,5% reais ao ano. No entanto, para manter a regra, serão necessários cortes em gastos obrigatórios, o que exige mudanças legais e constitucionais.

Segundo a proposta da LDO de 2026, a dívida pública deve seguir crescendo até 2028, chegando a 84,2% do PIB, antes de começar a recuar. O mercado, porém, prevê trajetória mais pessimista, com a dívida bruta alcançando 93,5% do PIB em 2034. Já o FMI projeta que o índice ultrapasse 100% em 2035.

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