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Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil rumo aos EUA, diz Reuters

Relatos sobre a viagem incluem informações sobre uma aeronave particular, mas os registros citados não confirmam que o senador estivesse a bordo.

FOTO: VALTER CAMPANATO

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos, segundo informações publicadas pela agência Reuters nesta terça-feira (27), com base em relatos de fontes ouvidas pela agência. O caso é acompanhado pelas autoridades brasileiras, e a defesa do parlamentar não havia respondido ao pedido de comentário da Reuters até a publicação do relato.

A informação foi divulgada após o vencimento do prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF). A determinação foi feita no domingo (25), no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, também investigado no caso, negam irregularidades.

Antes da divulgação da Reuters, o portal argentino Infobae havia noticiado que o senador teria atravessado a fronteira brasileira em direção a Puerto Iguazú, na Argentina, utilizando um documento de identidade, e que seguiria para os Estados Unidos em uma aeronave particular.

A reportagem argentina citou um avião Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A. Dados do FlightRadar24 mencionados no segundo relato indicavam que a aeronave havia saído de Buenos Aires e chegado a Puerto Iguazú às 23h45, no horário de Brasília. Os registros citados, porém, não confirmavam que Flávio estivesse a bordo nem que o avião tivesse partido da cidade rumo aos Estados Unidos.

Na manhã desta terça-feira, autoridades migratórias argentinas informaram que não havia registro de entrada do senador no país. Segundo informações atribuídas à Polícia Federal e divulgadas pelo blog da jornalista Andréia Sadi, também não havia registro de passagem de Flávio por pontos regulares de controle migratório no Brasil.

A Reuters informou ter confirmado a ida do senador aos Estados Unidos com duas fontes: um aliado próximo de Flávio e uma fonte do governo norte-americano. A agência também relatou que as duas filhas do parlamentar não compareceram às escolas que frequentam em Brasília naquela terça-feira. Esse dado, isoladamente, não esclarece com quem o senador teria viajado.

Na segunda-feira (26), após ser intimado a entregar os documentos, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais no qual negou a intenção de deixar o Brasil. Na gravação, afirmou que permaneceria no país para organizar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme declarou.

A ordem de entrega dos passaportes foi expedida no contexto do inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e Willer Tomaz. Os dois reconhecem a amizade, mas negam ser sócios e rejeitam qualquer irregularidade. O segundo relato também menciona uma investigação da Polícia Federal sobre possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.